E porque nem só de música se fala por aqui, convido-vos a aderir a esta causa:
"O Verão é tempo de férias e alegria, mas também de tristeza, para quem gosta realmente de cães. É nesta época do ano que se dão mais abandonos e a vida de muitos cães não volta a ser o que já foi.
Perdem o lar, a família que tinham e, em muitos casos, até a vida. É sem dúvida um fim de história muito triste, uma vez que, um lar e uma família são fundamentais para que um cão seja FELIZ.
Esta podia ser apenas mais uma história pronta a cair no esquecimento, mas se os animais também aprendem porque não podemos nós fazer o mesmo e, aproveitando esta oportunidade, ajudar a transformar os erros do passado na expectativa de um futuro melhor, para os cães, mas também para nós enquanto seres humanos.
É essa a razão porque contamos consigo e esperamos que participe neste movimento, passando a palavra e ajudando a espalhar uma onda de sensibilização com base em gestos simples, boa vontade e o desejo de poder transformar em sorrisos as lágrimas de muitos cães."
Confesso, sou um romântico da música, um Don Juan apaixonado que, aos olhos de 2009, parece viver há duas décadas atrás! Assumo, continuo a comprar música nos seus formatos tradicionais: k7, CD ou Vinil! Choque!!! Muitos perguntam-me qual é o meu problema, especialmente aqueles que se orgulham de ter discografias completas de 1001 bandas...no disco rígido! Eu respondo: gosto de música! Para mim a música tem de ocupar espaço na prateleira e não no disco rígido, tem de ganhar pó, de ter cheiro, de se sentir ao toque! Ainda bem que há muitos malucos como eu, que gostam de música e de coleccionar música em toda a sua plenitude! Ainda bem que actualmente assistimos a um género de fenómeno contra-corrente no qual, quanto maior é o facilitismo em obter a discografia de uma banda à distância de um clique, mais as pessoas tendem a virar-se para os formatos tradicionais da coisa. Só não vê o crescimento e a importância que o vinil e a demo tape está novamente a assumir em géneros musicais mais passionais e específicos quem anda demasiado ocupado em baixar torrents e sacar tudo o que soe a qualquer coisa, mesmo que nem se venha a ouvir. Calma! Apesar de tradicionalista, não sou um homem das cavernas! Também eu faço os meus downloads, aproveitando a grande virtude dessa funcionalidade, a de ouvir um disco que me suscite dúvidas quanto à sua qualidade e pertinência e que justifique o dispêndio de alguns euros. Se gosto, compro...isso é ponto de honra! Agora também há que saber refinar os gostos, estabelecer prioridades e orientar-mo-nos num dantesco labirinto de propostas musicais que mensalmente enchem as prateleiras das lojas (físicas e virtuais). E não me venham dizer que só compra música quem é rico! Eu não sou e arranjo forma de alimentar este saudável vício. Por uma questão de principio raramente dou mais de 10€ por um disco. Os preços que se praticam em Portugal para discos acabados de sair para o mercado são, sem dúvida, proibitivos. Há opções, resta saber procurar e ter força de vontade para isso. Bem, e toda esta conversa para lançar o desafio de responderem ao questionário lançado ao lado e que pretende saber quantos "malucos" como eu há por ai. Quem continua a comprar música nos seus formatos mais tradicionais? Em que quantidades? Quais os formatos que preferem? Respondam e já agora mandem as vossas postas de pescada para esta discussão.
Uma das últimas compras que fiz foi a edição especial do disco a solo de Steven Wilson, o génio por trás dos seminais Porcupine Tree, Blackfield, No Man e nome associado a bandas como os Opeth. «Insurgentes» é uma obra intemporal, incatalogável e de uma beleza e profundidade arrepiante, assumindo-se como um clássico em potência que merece ser devidamente degustado e assimilado, longe de imediatismos ou superficialidades. Fica ai o avanço para «Harmony Korine», um tema perfeito a todos os níveis.
Quando ouço qualquer coisa extraída da mente de Brendan Perry e/ou dos seus Dead Can Dance fico com a sensação de que, perante tamanho talento, sensibilidade e magnificência, toda a restante música torna-se mundana e menor! Não tenho pudor em afirmar que, a par de Eddie Vedder, Brendan Perry é o músico que idolatro com aquele sentimento quase juvenil. Quando andava há dias a navegar pelo infinito universo Youtube dei de caras com um novo tema deste senhor, levantando o véu sobre o tão aguardado sucessor de «Eye Of The Hunter», o disco a solo editado em 1999 e para o qual já não se esperava sucessor. «Utopia» é o título de uma canção absolutamente magnífica, assustadoramente transcendental, que faz adivinhar algo de muito especial a chegar ainda sem data marcada. Enquanto o disco não chega, deixem-se levar por «Utopia». Por aqui roda incessantemente...
Os açorianos Morbid Death são daquelas bandas que, independentemente das voltas que o mundo dê, ficarão para sempre gravadas na minha memória – e de muitos como eu – como uma referência não só do metal nacional, mas acima de tudo do metal açoriano. Goste-se ou não da sonoridade da banda, certo é que jamais poderá ser negada a importância que esta teve enquanto chamariz para aquilo que se ia passando no metal açoriano desde meados da década de 90. E, para quem está minimamente por dentro da história do metal nacional, sabe que os Açores já nos presentearam com bandas de alto calibre que, por uma ou outra razão, acabaram por nunca vingar. Os Morbid Death são o caso mais gritante de uma banda que merecia mais do que aquilo que alcançou, embora o seu estatuto enquanto verdadeira instituição da cultura açoriana já não seja algo de negligenciar. Perante isto, reveste-se de especial significado o tributo que foi editado recentemente, reunindo onze bandas açorianas a interpretar versões de temas dos Morbid Death. Se a memória não me atraiçoa, esta é uma iniciativa peregrina dentro do metal português, ganhando por isso ainda mais importância. Para além de homenagear os Morbid Death e estabelecer uma retrospectiva da sua carreira, viajando pelos seus melhores momentos, este disco tem o duplo papel de apresentar ao mundo talentosas bandas dentro dos mais diversos sub-géneros do metal e arredores. Excelentes momentos são protagonizados por bandas como os Neurolag, In Peccatum, Spinal Trip ou Crossfaith, embora valha a pena uma audição atenta à volta mais ou menos original que cada banda deu aos temas de Morbid Death. Nem que seja enquanto mero documento biográfico e retrospectivo, Echoes Of a Morbid Death é um trabalho que interessa conhecer e colocar na prateleira daqueles discos que daqui a uns anos se recordarão com bastante saudosismo e que serão citados como um exemplo de perseverança e união de uma cena local em torno de uma causa.
E porque recordar é viver, deixo-vos dois vídeos separados no tempo por 15 anos. Em 2007 a banda a actuar nos Prémios Açores Música e um verdadeiro tesourinho de 1992...
Gazua «Música Pirata» [CD – Edição de autor, 2009]
Feita a «Convocação» o ano passado, os portugueses Gazua surgem com um segundo álbum que, por mais bem intencionado e ambicioso que possa ser, não deverá mudar grande coisa na carreira desta banda ou trazer algo de realmente interessante à nossa cena musical. O que encontramos em «Música Pirata» não é mais do que um disco de punk rock melódico cantado em português algures entre a atitude mordaz dos Tara Perdida e a emergência comercial dos Xutos e Pontapés. Nada de especial, entenda-se! Louve-se o esforço e a dedicação à causa de uma banda que edita este disco por sua conta e risco. Se eles não acreditarem na sua música, quem acreditará?
Satans Revolver «The Circleville Massacre» [CD – Raging Planet, 2008]
Este disco já anda aqui por casa há alguns meses e confesso que até já rodou algumas vezes, sendo que está mais do que na altura de falar sobre ele. Os Satans Revolver são um novo projecto português que reúne elementos de bandas como Aside, Before The Torn ou Twentyinchburial , sendo que essa influência acaba por se reflectir neste disco de estreia. «The Circleville Massacre» pega na dureza e irreverência do thrashcore, dá-lhe uma esfrega de southern rock e stoner metal e resulta numa sonoridade híbrida deveras interessante e explosiva. Pena é que os cinco temas desta estreia não reúnam ainda argumentos para se agarrarem à memória do ouvinte, ficando-se pela evidente competência técnica e pela aparente vontade em apresentar algo de original. Embora estreantes, os Satans Revolver já revelam tomates para comparecerem num qualquer duelo ao meio-dia.
Há muito que um disco editado recentemente não rodava tanto por aqui. «Crack The Skye» é daqueles discos talhados para gerar opiniões totalmente distintas, mas a sua qualidade, arrojo e honestidade é absolutamente incontestável. Fica ai o video para «Oblivion», o tema de abertura de um disco sublime com muito por explorar para mentes mais dadas a experimentalismos...um clássico em potência!